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22/09/02

MONS. PEDRO TEIXEIRA CAVALCANTE *

    Já escrevi, aqui e em alguma vez, que há uma grande diferença entre sentir-se bem e estar bem. Salientei, na ocasião, que mesmo que não nos sintamos bem algumas vezes, podemos e devemos estar bem em todos os momentos da vida. Como isto pode ser?
    O que acontece comumente é que levamos uma vida tão agitada e tão cheia de preocupações, que não temos tempo para o que é essencial e verdadeiramente importante. Na procura do que é imediatamente necessário, quando não supérfluo, perdemos a noção do fundamental e trocamos o autenticamente real pelo aparente, imediato, satisfatório e provocador de prazer. Às vezes, acontece que essa troca produz um certo bem-estar, que julgamos, por ignorância ou por falta de discernimento, que é o único e bom para nossa vida. A conseqüência desastrosa é, então, inevitável, pois, com o passar do tempo, não somente a natureza mesma se vinga, mas também o que é efêmero vai-se embora, sobrando apenas o vazio, a tristeza, a amargura. Assim, o bem-estar aparente e imediato, que parecia ser a solução da nossa angústia existencial, passa a ser uma dor de cabeça sem fim, que pode terminar numa profunda depressão e desespero de vida. Por isso, vivemos num mundo coberto com uma capa de tristeza, chateação, desânimo e revolta.
    Ora, o bem-estar verdadeiro deve se fundar na verdade e a Verdade é Deus. Logo, quem quer realmente estar bem consigo, com as coisas, com os homens e com o mundo, tem de viver em e com Deus. Deus responde a todas as interrogações do homem e, ao mesmo tempo, satisfaz aos seus desejos e angústias existenciais mais profundas. Por isso, os santos, aqueles que mais compreenderam Deus e viveram nele e com ele, foram pessoas alegres e sumamente felizes, malgrado todos os sofrimentos e dificuldades de suas vidas.
    Lembro-me, aqui, do versículo quinto do salmo trinta e seis, que reza assim: “Confia no Senhor, confia nele, entrega-lhe teu futuro e ele agirá”. Vivendo assim, quem não estará sempre bem e feliz?


(*) É DOUTOR EM TEOLOGIA E VIGÁRIO GERAL

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