21/12/03
MONS. PEDRO TEIXEIRA
CAVALCANTE *
Há muita gente sumamente
preocupada com o fim do mundo. Essas pessoas lêem as Escrituras Sagradas
em busca de uma resposta e começam então a fazer as mais diversas
conjeturas. Basta lembrar certo cidadão que, no fim do século dezenove,
depois de muitas contas, marcou o fim do mundo para 1914. Como em 1914,
nada aconteceu, ele se desculpou dizendo que tinha errado nos cálculos e
fez nova previsão para a década de vinte do mesmo século e novamente
nada aconteceu. Ele recomeçou os cálculos e, nesse período, ele morreu.
Para ele, o mundo acabou!
Na verdade, sobre o tema do fim do mundo,
é preciso deixar claros quatro pontos. O primeiro é que, como nosso
mundo é material, ele necessariamente vai acabar. Agora, o quando e o
como, as Escrituras Santas não nos dizem nada. Antes, o próprio Jesus,
interrogado sobre o assunto, disse que nem Ele nem os anjos sabiam, pois
era só do conhecimento do Pai e procurou desviar a resposta para alguns
sinais apocalípticos e , sobretudo, para a Parusia, ou seja, a sua
segunda vinda: “Dize-nos quando vai ser isso, e qual o sinal da tua
vinda e da consumação dos tempos... Daquele dia e da hora, ninguém
sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, mas só o Pai” (Mt 24 3.36)
O terceiro ponto importante a se
notar nesta questão é o gênero literário chamado apocalíptico, que
era muito comum nos tempos de Jesus e que o Mestre usou para anunciar sua
segunda vinda, sua vinda gloriosa. Portanto, as expressões de Jesus são
imagens, próprias de um gênero literário, e, portanto, não devem nos
interessar. O importante é o sentido das expressões de Jesus.
O quarto e último ponto – e este
é verdadeiramente importante – e o anúncio da Parusia, ou seja, da
segunda vinda, quando então tudo será transformado e transfigurado.
Haverá novo céu e nova terra e o próprio ser humano ressuscitará no
seu corpo, para se unir à sua alma.Os benditos serão então glorificados
em corpo e alma e gozarão para sempre da felicidade eterna, enquanto que
os malditos sofrerão para sempre da separação da Trindade.
* É DOUTOR EM TEOLOGIA E VIGÁRIO-GERAL
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