21/09/03
MONS. PEDRO TEIXEIRA
CAVALCANTE *
Muita gente fica admirada com o
fato de o número de protestantes ter crescido nesses últimos anos e que
muitos católicos tenham deixado sua Igreja-Mãe e passado para outras
comunidades eclesiásticas ou agrupamentos vários religiosos, incluindo
aqui até religiões e filosofias orientais de cunho religioso. No último
censo, ficou mostrado que os católicos, no Brasil, perderam cerca de 10%
de adeptos.
Como conseqüência, muitos se perguntam o que
está a Igreja fazendo e muitas pessoas acusam a Igreja católica de
cansada, de estacionária, parada, indiferente, quando não, negligente.
Quando, no início da Idade Moderna, nasceu a
chamada Reforma Protestante, de imediato, a Igreja católica renasceu com
a sua mal chamada Contra-Reforma, com toda uma nova estrutura de vida e
com a difusão da verdadeira doutrina, da ortodoxia cristã. Mas,
atualmente, que está ela fazendo? Como está reagindo diante do borbulhar
de tantas seitas novas?
Em primeiro lugar, é preciso notar que a diminuição
de adeptos do catolicismo não significa que a Igreja esteja perdendo
terreno, porque se ela perdeu em número de fiéis, ganhou certamente na
qualidade de seus seguidores, o que, convenhamos, é muito melhor e mais
importante.
Em segundo lugar, talvez muitos não saibam, mas a
verdade é que a Igreja católica está sumamente consciente de sua
responsabilidade evangelizadora e tem, na prática, procurado
reestruturar-se e atualizar-se na missão que lhe foi confiada.
Desde a década de 60, a Igreja, no Brasil vem
estudando a nossa real situação religiosa e publicando as suas
“Diretrizes Gerais da ação evangelizadora na Igreja do Brasil”.
Entre 1966 e 1979, essas Diretrizes apresentaram, pela primeira vez, suas
seis linhas básicas de evangelização, que foram denominadas de Comunhão
e Participação, Catequese, Liturgia, Missão, Ecumenismo e diálogo
religioso, e socio-transformadora. Para os anos entre 95 e 99, essas seis
dimensões foram resumidas nas quatro pistas básicas, apresentadas após
a publicação da Novo Millenio Inneunte, a saber, serviço, diálogo,
testemunho e anúncio. Agora, com as Diretrizes para o período de 2003 a
2006, são apresentados três campos fundamentais de ação, isto é,
pessoa, comunidade e sociedade, que devem ser vistos à luz das quatro
exigências.
A Igreja no Brasil, como um todo, está, pois, em
ação. O que falta mesmo é que cada católico arregace as mangas e
recomece, com fervor e entusiasmo, a nova evangelização pedida e
solicitada pelo nosso papa.
* É DOUTOR EM TEOLOGIA E VIGÁRIO-GERAL
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2003 - Paróquia
Divino Espírito Santo - Maceió/AL