21/03/04
MONS. PEDRO TEIXEIRA
CAVALCANTE *
Há uma coisa que me chama muito
a atenção, quando estou dirigindo um carro. É o fato de que, muitas
vezes, apenas o sinal ficou verde, logo, de imediato, numa fração de
segundo, o motorista que está no carro atrás do meu começa a buzinar.
Isso dá a idéia de que ele estava nervoso e com a mão sobre a buzina,
porque, às vezes, não houve nem tempo de acelerar meu carro. Que
significa esse fenômeno? Por que isso acontece tantas vezes?
A mim me parece que esse fato indica muito bem
que vivemos num mundo de nervosinhos. Daquelas pessoas que estão sempre
agitadas, aperreadas, estressadas, que vivem roendo unhas, suando frio nas
mãos, desconfiadas de tudo (já notaram como as mulheres andam
sustentando suas bolsas, quando caminham pelas ruas? Sustentam-nas e
defendem-nas, como se estivessem esperando um ladrão a qualquer
momento!), loucas para gritar, dar berros contra tudo e contra todos,
querendo descarregar toda a bílis armazenada dentro de si.
Vivemos num mundo de nervosinhos. Muita gente
entra em casa e já vai despejando seus problemas na pobre família, que
ainda nem sabe de nada. Outros vão para o trabalho com um fardo interior
muito mais pesado do que a pasta que levam cheia de documentos. (Aliás,
hoje em dia, até que não é executivo está sempre carregando agenda, ou
uma pasta de plástico repleta de papéis, muitos deles inúteis).
Por que será que chegamos a esse
estado de coisas? Terá sido o progresso ou a ganância dos homens? Não
acumulamos nós, dentro de nós ou nas nossas pastas, uma multidão de
coisas inúteis, que terminam disparando demasiado o acelerador do nosso
sistema nervoso? Deixo a palavra aos entendidos em psicologia, mas que
alguma coisa está errada, está; do contrário não viveríamos nesse
mundo de nervosinhos.
* É DOUTOR EM TEOLOGIA E VIGÁRIO-GERAL
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