19/12/04
MONS. PEDRO TEIXEIRA
CAVALCANTE *
Diz uma velha e sempre bonita
canção popular: “A saudade mata a gente!” Pode ser verdade, mas é
certo também que a saudade faz continuar a vida do que e de quem se ama.
A saudade, desta maneira, é um presente de Deus, para que nós nunca
esqueçamos as coisas boas da vida e as pessoas que amamos. É verdade
que, muitas vezes, a saudade dói e dói muito, mas é quase sempre uma
dor gostosa, porque nos traz lembranças inesquecíveis.
Hoje, falo da saudade, porque no dia
18 passado, completaram-se três anos da morte da inesquecível Juliana, a
menina-moça que era a alegria da meninada na paróquia e uma líder da
infância missionária.
Juliana era alegre, feliz e fazia
todo mundo feliz. Estava sempre disposta para ajudar nos trabalhos missionários
da sua comunidade e prometia, por tudo que era, um futuro promissor.
Ela se foi inesperadamente,
atropelada quando andava pela calçada de uma rua em direção à igreja
de Cruz das Almas, para ser madrinha de crisma. A comunidade toda chorou
sua morte.
Hoje, passados três anos, a saudade
de Juliana não é mais propriedade de alguém, porque ela é de todos que
a conheceram. Uma certeza profunda, porém, consola-nos: ela está no céu
juntinho dos anjos celestes. Deus certamente nem sequer olhou para suas
peraltices de adolescente, mas acolheu feliz no seu regaço a menina-moça,
que o amou seriamente e que nunca mediu esforços para fazê-lo sempre
mais amado entre os pequeninos.
A saudade de Juliana traz-nos, pela fé,
o consolo de que, um dia, haveremos de nos ver de novo, sem mais o perigo
de um atropelamento brutal, na felicidade sem fim da Casa do Pai.
* É DOUTOR EM TEOLOGIA E VIGÁRIO-GERAL
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Divino Espírito Santo - Maceió/AL