| Prisioneira do amor |

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17/10/04

MONS. PEDRO TEIXEIRA CAVALCANTE *

       Não, não me julgue mal. Não se precipite no seu juízo. Não se deixe levar pela primeira impressão. Eu explico. Nas suas poesias, santa Teresinha, mais de uma vez, referindo-se à Santíssima Trindade, usa essa expressão de profundíssima significação mística: “Ó Trindade, prisioneira do meu amor!”. A Trindade para muitos não passa de um mistério da nossa fé, que é impossível de ser entendido e que, consequentemente, é difícil de ser vivido. No entanto, a Trindade é o princípio e o fim de todas as coisas, é razão e o sentido de toda a criação, é origem da vida, do ser, do amor. Viemos da Trindade e devemos voltar para a Trindade. A Trindade é o começo, o caminho e o termo de todo o criado. Por tudo isso, pode parecer, à primeira vista, que a Santíssima Trindade está longe, acima e distante de nós; que ela é O Absolutamente Outro. No entanto, na economia do mistério cristão, a Trindade, infinita, eterna e absoluta em si, não só transbordou seu ser para o criado, limitado, temporário e relativo, mas ama esse criado com amor eterno. O que é acima vem até embaixo; o que é eterno vem ao tempo; o que é absoluto vem ao relativo; o que é infinito vem ao passageiro. Mais ainda. A Trindade se abre na sua fornalha eterna de amor eterno e permite que a criatura humana aí mergulhe, para se perder em Deus, divinizando-se e se tornando como deus. Mergulhar na Trindade é chegar ao supra-sumo da perfeição mística; é descobrir a fonte do ser; é alcançar o sentido mais profundo de todas as coisas; é sair do que é apenas terra, superfície, doentio, fraco, mal-acabado, triste, incompleto, passageiro. E Deus, pela sua infinita condescendência e misericórdia, permite esse céu antecipado já na terra, fazendo-se prisioneiro do amor de sua pobre e carente criatura. Este é um mistério que só o amor pode explicar. Qualquer um que faça essa experiência mística, ficará pasmado, extasiado, encantado, exaltado e não poderá deixar de gritar e cantar, inebriado, com santa Teresinha: “Ó Trindade, prisioneira do meu amor!”


* É DOUTOR EM TEOLOGIA E VIGÁRIO-GERAL

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