| Lições dos Kayapós |

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17/08/03

MONS. PEDRO TEIXEIRA CAVALCANTE *

       Li, há pouco, na revista “Cidade Nova”, uma entrevista de um padre italiano, missionário no Brasil. O padre se chama Zezinho Leoni e, às tantas da entrevista, ele faz a seguinte declaração: “Para os kayapós o pecado mais grave é falar mal da vida alheia”. Confesso que vibrei com o pensamento e o comportamento dos nossos índios kayapós, porque eles descobriram, sem o saberem e sem terem sido orientados pelo Evangelho, a fina flor da mensagem de Jesus.
       É curioso como muita gente, inclusive padres e freiras, preocupa-se tanto com os pecados na linha do sexo, do orgulho, da ira, do abuso da riqueza, etc., e se esquece de que o mandamento principal é o amor e que, conseqüentemente, o pecado maior é aquele que é contra o amor. Assim, falar mal da vida alheia, por ser diretamente contra a lei do amor, é pecado feio, grave, horroroso, nojento, anti-evangélico, etc. etc.
       Ninguém pode viver alegre, satisfeito e feliz pensando que cumpre a lei do Senhor só porque não rouba, não mata, não fornica, não trai o cônjuge, dá esmola, reza, participa da missa, é engajado em uma pastoral, em suma, porque anda na linha, embora não respeite a vida dos outros. Ora, como alguém pode andar na linha do Senhor, quando o detrata no seu irmão?
       Falar mal dos outros é destruir uma vida, é matar alguém. Não se mata apenas com faca e revólver, mas pior do que qualquer outro instrumento de morte é o que nós temos na boca, a língua que, graças a Deus, é amarrada, porque solta apenas de um lado já faz miséria, imagine o que não faria se fosse totalmente livre.
       Falar mal é caluniar, denegrir, diminuir, e muito mais e tudo isso significa destruição, morte. Só Deus e a pessoa malfalada sabem quanto mal acontece, quando alguém, mesmo com consciência tranqüila, arrasa com sua vida. Às vezes, é um mal para o resto da vida.
       Que lição a dos índios kayapós, mesmo se conhecerem o Evangelho de Jesus!


* É DOUTOR EM TEOLOGIA E VIGÁRIO-GERAL

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