17/01/2010
MONSENHOR PEDRO TEIXEIRA
CAVALCANTE *
Conversando com uma secretária
doméstica, ouvi suas lamúrias, porque servia a uma família há tempo,
mas nunca recebera um “muito obrigado”, além do ordenado contado de
todos os meses. Ela me reclamava também, porque, durante todo o tempo, e
já era longo, em que trabalhava com aquela família, nunca lhe
comemoraram o seu aniversário natalício e nem mesmo as crianças que ela
viu nascer e delas cuidara com tanto carinho tinham sido capazes de lhe
mostrar um gesto de gratidão.
Ouvi, atento, os desabafos daquela pobre senhora, que tinha toda razão de
reclamar da família ingrata e indiferente. Infelizmente nossa conversa
foi interrompida, pois aquela mulher recebeu uma chamada urgente. Quando
ela saiu, eu comecei a me perguntar que resposta eu teria devido dar-lhe
como solução das suas angústias e, também, pus-me a pensar nas inúmeras
pessoas que vivem a mesma situação. Naquelas pessoas, que, como Jacó,
tendo servido com dedicação a uma família, a uma pessoa, a uma entidade
e até a sua Igreja, nunca receberam demonstração de gratidão; nunca
viram seus esforços reconhecidos e me perguntei qual a saída para essas
pessoas.
Será que procurar mudar de situação ou de lugar seria uma solução?
Mas, isto nem sempre é possível. Pensei, então, que, se um diálogo
resolvesse, abrisse caminhos, talvez fosse por aí que se devesse começar.
Mas logo percebi que uma solução definitiva só pode vir do alto. Por
isso, nesses casos, como no de Ana de Elcana, a solução virá certamente
pela oração. Uma oração humilde e confiante, que nos leva a colocar
tudo nas mãos de Deus.
Deus conhece a nossa história e quer o que há de melhor para nós. Não
podemos nem devemos querer adiantar o relógio de Deus nem fazê-lo
construir nossa história como desejamos. Confiemos e peçamos com
humildade e Deus cuidará de tudo (Sl 37,5).
* É DOUTOR EM TEOLOGIA E PÁROCO DA PARÓQUIA DIVINO ESPÍRITO SANTO -
JATIÚCA - MACEIÓ/AL
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2010 - Paróquia
Divino Espírito Santo - Maceió/AL