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16/06/02

MONS. PEDRO TEIXEIRA CAVALCANTE *


       Na Roma antiga, quando havia um processo jurídico envolvendo duas pessoas, ambas eram obrigadas a pagar uma caução. A soma de dinheiro que devia ser paga era depositada in sacro. A quantia da parte perdedora passava para o erário público e se tornava consagrada às divindades. Sacramentum, no caso, era o dinheiro dessa caução. Ainda em Roma, o recruta quando começava o serviço militar, prestava um juramento, que era chamado de sacramentum, que, às vezes, era testemunhado por uma marca no corpo do soldado. Em ambos os casos, quer a pessoa quer o dinheiro eram considerados consagrados.
       Foi partindo das expressões clássicas de “sacramentum militiae” e “militia Christi”, que Tertuliano chamou o batismo de sacramento. Portanto, no começo, sacramento indicava um ato de consagração e iniciação, tal como indicava o termo mystérion. Foi com discurso de santo Agostinho sobre a natureza do sinal, que a palavra sacramento foi tomando o sentido atual, como sinal e causa da graça.
       A evolução dogmática foi lenta, mas o aprofundamento da revelação sacramentária, guiada pelo Espírito Santo, levou a Igreja à descoberta não somente do sentido, mas também do número dos sacramentos, como foi ratificado no Concílio de Trento.
       Hoje, com toda a firmeza da fé, a Igreja pode dizer no seu Catecismo: “As palavras e as ações de Jesus, durante a sua vida oculta e durante o seu ministério público, já eram salvíficas. Antecipavam o poder do seu mistério pascal. Anunciavam e preparavam o que iria dar à Igreja, quando tudo fosse realizado. Os mistérios da vida de Cristo são os fundamentos daquilo que agora, mediante os ministros da sua Igreja, Cristo dispensa nos sacramentos, pois “aquilo que era visível o nosso Salvador passou para os seus mistérios”. Como “forças que saem” do corpo de Cristo, sempre vivo e vivificante, ações do Espírito Santo em operação no seu Corpo que é a Igreja, os sacramentos são as obras-primas de Deus” na Nova e Eterna Aliança” (n.1115)
       * É doutor em Teologia e vigário-geral

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