| A Imaculada |

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14/12/03

MONS. PEDRO TEIXEIRA CAVALCANTE *

       É dogma. Mas deve ser bem entendido, para não confundir nem deturpar.
       O dogma da Imaculada Conceição de Maria, proclamado por Pio IX aos 8 de dezembro de 1854, diz simplesmente que Maria foi, desde o primeiro instante de sua concepção, isenta do pecado original. Não diz que Maria teve uma concepção ou um nascimento fora do comum.
     Entendamos as coisas. O dogma da Imaculada é um privilégio, sim, mas não deve ser concebido como uma espécie de exceção, pela qual Maria estaria fora do comum dos mortais. O dogma da Imaculada Conceição deve ser entendido pelo seu lado positivo, ou seja, pela mais completa e mais bonita inserção de Maria no mistério de seu Filho, Jesus Cristo.
      O primeiro aspecto deste dogma, pois, é cristológico, ou seja, a mãe preparada pelo Filho, recebe dele, de maneira antecipada, pois a graça salvífica não está ligada a nenhum tempo nem circunstância, já que é puro dom de Deus, toda a força do seu mistério redentor. O mediador entre Deus e os homens realiza naquela que lhe dará a vida na natureza humana, os frutos de sua redenção, para que ela lhe esteja totalmente associada no ato salvífico, pois do contrário nem ela seria exemplo e o Filho estaria ligado a alguém que, por algum tempo, tinha estado sob os laços de satanás.
     O segundo aspecto da Imaculada Conceição é eclesiológico. Com efeito, filha de Eva, membro e mãe da Igreja, Maria recebe, por primeira e em plenitude, o dom da pureza total, símbolo, aurora, começo e prenúncio de uma Igreja limpa, imaculada e sem ruga. Maria é um membro da Igreja que recebeu, em plenitude, os efeitos do mistério vivido por esta mesma Igreja, que caminha na terra, em busca dessa plenitude.
      O terceiro aspecto do dogma é soteriológico. Com efeito, Jesus veio como o Salvador de todos e a salvação acontece por obra da graça e a conseqüente eliminação do pecado. Na Imaculada Conceição a salvação foi antecipada e é mostrada como possível e real.
      O quarto aspecto é escatológico, pois a salvação tão desejada é a esperança de todo cristão. Maria mostra, pelo dogma, como ela é possível, real e concreta para todos nós.


* É DOUTOR EM TEOLOGIA E VIGÁRIO-GERAL

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