| Reflexões ao pôr-se o sol |

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14/09/03

MONS. PEDRO TEIXEIRA CAVALCANTE *

       Santa Teresinha, na primeira parte dos seus “Manuscritos Autobiográficos”, escreve sobre alguns momentos de experiência mística que ela, juntamente com sua irmã, Celina, viveram no Belvedere de sua casa, nos Buissonnets, em Lisieux.


       A santa, com muito toque de poesia e com uma elevação mística estupenda, fala-nos das doces conversas que mantinha com Celina, em certas noites enluaradas: “O olhar mergulhado no distante, contemplávamos a Lua branca se elevando docemente por trás das grandes árvores... os reflexos prateados que ela espalhava sobre a natureza adormecida... as estrelas brilhantes cintilando no azul profundo... o sopro suave da brisa da noite fazendo flutuar as nuvens vaporosas, tudo elevava nossas almas para o Céu, o belo Céu do qual não contemplávamos ainda “senão o avesso límpido...” Santa Teresinha compara esses momentos aos de santa Mônica com Santo Agostinho no porto de Óstia” Nesses, diz-nos ainda a Santa: “A dúvida não era possível; já a Fé e a Esperança não eram mais necessárias; o amor nos fazia encontrar sobre a terra Aquele que buscávamos.”


       Reli, com prazer, esta passagem da “História de uma Alma”, de Santa Teresinha, porque, hoje, ao contemplar um maravilhoso pôr-do-sol, fui envolvido e arrebatado por sentimentos e pensamentos inefáveis e inenarráveis. E quem não fica assim extasiado, quando a tarde amarelaça começa a cair, levada pela bola de fogo do Sol que se vai, deixando no céu claro e azul raios cor-de-rosa, que se infiltram artisticamente entre as últimas nuvens solitárias? Envolvido pela beleza do ocaso, mergulhei em pensamentos e sentimentos vários e variados, que paradoxalmente tocam o mais íntimo do nosso ser e nos elevam para as praias infinitas da eternidade, para o dia sem ocaso no céu. Foram pensamentos e sentimentos de tristeza e de alegria, da fugacidade e da beleza da vida, da grandeza de Deus e da pequenez da criatura. Foram pensamentos e sentimentos de saudade, saudade da Pátria, onde o Sol não se porá jamais, onde o dia jamais terminará, onde os sentimentos e pensamentos tornar-se-ão simplesmente verdade e vida. Tem razão o texto sagrado: “Os olhos não viram, os ouvidos não ouviram, e o coração do homem não percebeu, foi isso que Deus preparou para aqueles que o amam” (1Co 2,9)


* É DOUTOR EM TEOLOGIA E VIGÁRIO-GERAL

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