14/03/04
MONS. PEDRO TEIXEIRA
CAVALCANTE *
A Quaresma é o tempo de uma
alegre preparação para a Páscoa. E essa preparação já é antiga. No
século II, já se fazia um jejum de dois dias antes da Páscoa. No século
III, o jejum passou a ser de uma semana e, no século IV, o costume se
estendera para quarenta dias, relembrando os quarenta anos de deserto do
Povo de Deus, os quarenta dias de retiro de Moisés e de Jesus e os
quarenta dias de caminhada de Elias em busca de salvação.
A partir de então, a Quaresma procurou se
estender ainda mais. Foi assim que nasceu a meia semana antes do primeiro
domingo da Quaresma e apareceram, já suprimidos, os domingos da qüinquagésima,
da sexagésima e septuagésima.
Na Igreja nascente, na segunda-feira
após o primeiro domingo da Quaresma, havia a penitência pública,
durante a qual os fiéis que tivessem cometido algum pecado grave público
eram convidados a sair da igreja para fazerem penitência dos seus pecados
e se impunha cinzas na cabeça dos homens e com elas se fazia uma cruz na
testa das mulheres. Depois, a cerimônia da penitência pública
desapareceu e a cerimônia das cinzas passou para a quarta-feira antes do
primeiro domingo da Quaresma.
Como preparação para a Páscoa, a Quaresma se
fundamenta no batismo, que é administrado na vigília do Sábado santo.
Para os catecúmenos, é a preparação adequada para o momento sublime de
ser batizado em nome da Trindade; para os já batizados, é a renovação
das promessas do Batismo.
Essa preparação ou revivescência do
sacramento do Batismo se concretiza em três dimensões, a saber, a oração,
a penitência e a caridade ou, em outras palavras, rezar, jejuar e dar
esmolas.
Viver a Quaresma é viver a nossa fé e é
crescer na vida espiritual.
* É DOUTOR EM TEOLOGIA E VIGÁRIO-GERAL
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Divino Espírito Santo - Maceió/AL