| Lições das eleições |

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13/10/02

MONS. PEDRO TEIXEIRA CAVALCANTE *

     O período de eleições ainda não chegou ao fim neste corrente ano eleitoral. Teremos ainda o segundo turno. Todavia, já se pode tirar algumas - das muitíssimas - lições do que vimos, do que presenciamos, do que ouvimos.
     Em primeiro lugar, aparece o fato inconteste: alguns venceram, outros perderam. Retrato da vida. É sempre assim que acontece. É claro que vencer ou perder nem sempre são produtos de uma luta honesta, sincera, fiel aos preceitos da ética. Por vezes, a vitória ou a derrota são frutos de trapaças e conchavos. Afora isso, a realidade é que se perde ou se ganha e isto devemos aceitar. Não aceitar com simples resignação, mas com a altivez de quem é superior aos acontecimentos da vida, sejam eles agradáveis ou desagradáveis. Aceitar na convicção de que se perde uma batalha e não a guerra; na convicção de que se ganha nas eleições não para benefício próprio, mas com a responsabilidade de se trabalhar pelo bem comum com afinco e seriedade.
     A segunda lição de tudo que até aqui aconteceu é que ainda estamos longe de uma democracia autêntica e verdadeira; estamos longe de um processo eleitoral sério e dentro dos princípios da ética e da moral. Muitos candidatos fizeram de tudo para ganhar a eleição, sem se importar com o respeito a si mesmo e ao outro. A ânsia pela vitória, o desejo do poder, a angústia pelo status político, sempre carregado de prestígio, de dinheiro e de mordomias, tornaram alguns candidatos tão loucos a ponto de venderem a própria alma para conseguir o sucesso. Na verdade, no final de todas as contas, já podemos dizer que ainda estamos longe da democracia.
     A terceira lição é que nosso povo, na sua grande maioria, não está ainda preparado para votar livre e conscientemente. A maioria quer se aproveitar do período eleitoral, para ganhar dinheiro, para conseguir benefícios, para tirar vantagens. Muitos, e são muitos mesmo, nem sequer sabem em quem votar. Fazem o que outros lhe dizem; votam naqueles que alguém lhes indica; e, diante da máquina, ficam apavorados e não sabem nem sequer como tocar nas teclas. Quantas coisas para mudar! Quantas lições para aprender!
     * É vigário geral e doutor em Teologia

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