12/10/03
MONS. PEDRO TEIXEIRA
CAVALCANTE *
O livro de Jonas, histórico ou
parabólico, é de uma leitura gostosa e atraente. Na verdade, Jonas é um
contista de primeira ordem. Mas, além do que o Livro nos conta, o que
interessa mesmo para nós, cristãos, é a sua mensagem e mensagem é o
que não falta nesse Livro sagrado.
Logo no primeiro capítulo, encontramos um
profeta que não quer ser profeta, por motivos pessoais, nacionalistas.
Jonas foge de Deus. Jonas se esconde de Deus. Jonas desobedece a Deus. Não
quer pregar a misericórdia infinita de Deus, que não faz distinção de
pessoas. Ele tem uma missão, porém. Tem uma vocação. Sua vida está
marcada por Deus para uma finalidade espiritual. Mas, Jonas não dá a mínima
à sua missão, à sua vocação, ao seu chamado de Deus.
Acontece, porém, que, por ter fugido, ele
se torna vítima de uma “sorte”. Com efeito, enquanto a tribulação
está apavorada com uma tremenda tempestade, Jonas dorme “tranqüilamente”
no porão do navio. Sua consciência parece não doer nem um pouco. Ele
pagou a passagem e quer desfrutar da viagem como lhe convém.
Pego de surpresa, ele revela a outra face
de Jonas. Diante do barulho dos marujos e passageiros, Jonas se mostra
outro. Ele se converte. Volta-se para sua missão e vocação e leva isto
até as últimas conseqüências, a morte.
Penso que com muitos católicos acontece a
mesma história nos dias de hoje. Às vezes, somos covardes e não temos
coragem de cumprir nossa missão, de levar adiante nossa vocação. Então,
fugimos e queremos nos esconder de Deus. Se até aí fomos igualzinhos a
Jonas, temos de sê-lo também na conversão, ou seja, na coragem de irmos
adiante, de mudarmos de vida, de cumprirmos nossa missão mesmo que isto
nos custe entrar na barriga de uma baleia.
Pecado é coisa horrível; muito pior, porém,
é, quando consciente do erro, permanecemos no pecado
* É DOUTOR EM TEOLOGIA E VIGÁRIO-GERAL
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