| Jesus foi batizado? |

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12/01/03

MONS. PEDRO TEIXEIRA CAVALCANTE *

        Que Jesus tenha sido batizado por João Batista nas águas do Rio Jordão não resta nenhuma dúvida, conforme nos relata o evangelista Mateus (3,13-16). Todos nós ficamos admirados que isto tenha acontecido justamente porque fazemos logo uma comparação com o nosso batismo cristão e não podemos aceitar que Jesus tenha tido motivo para ser batizado.
        Ora, o batismo de João não era o nosso sacramento cristão e, sim, um rito de penitência para indicar um arrependimento pessoal e, portanto, implorar assim de Deus o perdão dos pecados. Podemos dizer que ele era um rito inicial de adesão a uma nova maneira de viver, como pregava o Batista e pregaria Jesus, quando anunciavam: “Mudai de mentalidade, porque o Reino de Deus está próximo” (Mt 3,2; 4,17)
        Jesus, no início de sua vida pública, entra, certo dia, na fila dos batizandos de João. O Batista reage a batizar o seu Senhor, mas este insiste dizendo que era preciso que se cumprisse toda justiça. Que significa isto e por que, de fato, Jesus se fez batizar?
        Os entendidos de Teologia e de Bíblia apresentam várias razões para o batismo de Jesus. Uns dizem que foi para ser publicamente confirmada a filiação divina de Jesus (“Este meu Filho amado...” Mt 3,17). Outros afirmam que foi para acontecer a verdadeira unção do Senhor e a investidura de Jesus como Messias, antes da sua vida pública. Alguns opinam que se trata de um exemplo e, portanto, de um convite para que todos os cristãos se fizessem batizar, depois da promulgação do seu mandamento da fé e do batismo (Mc 16,15), mesmo porque Jesus já praticara com seus discípulos este ministério (Jo 3,22).
        Pessoalmente, creio que há um motivo básico, a saber, a expressão pública e oficial da participação de Jesus na história da humanidade. Com efeito, ele se fez em tudo igual a nós, exceto no pecado. Ele, na verdade, é solidário a nós em tudo, quando assumiu nossa carne, nossa vida, nossos deveres, nossas fraquezas, para purificar-nos e libertar-nos de toda maldade e elevar-nos à dignidade de participantes da vida divina.

 


* É DOUTOR EM TEOLOGIA E VIGÁRIO-GERAL

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