11/05/03
MONS. PEDRO TEIXEIRA
CAVALCANTE *
Caminhando pela praia, sempre vejo os
pescadores que puxam a rede das águas do mar. Gosto de apreciá-los nessa
labuta. Quando posso, aproximo-me para ver a chegada da rede na praia e os
peixes pulando na ânsia de salvação.
Todavia, o que mais me chama a atenção na pescaria de rede é a ação
conjunta de vários homens. Notei que o trabalho só pode ser feito se for
realmente em equipe. Desde o rolar da jangada pela areia da praia até as
águas do mar, tudo tem de ser feito com os braços e a ajuda de muitos e
tudo tem que ser concatenado, ritmado, organizado. Um erro pode causar um
machucão, um rasgo na rede, uns peixes perdidos. Quando um pescador vai
pescar sozinho, não pode levar uma rede grande e seu sucesso é pequeno.
Quando termina a pescaria, seu quinhão de pescado é diminuto. Muito
diferente é o resultado da pescaria de rede grande, quando muitos
trabalham em conjunto e ordenadamente. São quilos e mais quilos de
pescado. Todos são beneficiados e, no final, todos celebram o sucesso,
levando para casa a sua parte, colocando no bolso o seu dinheiro e
rematando tudo com muita alegria e um gole na primeira bodega.
Com os pescadores, aprendi que o sucesso só se conquista com a
comunidade, com a equipe, com trabalho em conjunto. O grande Tomás Merton
já dizia: “Homem alguém é uma ilha”. Tinha muita razão o monge
americano. Sozinho, não se faz quase nada, ou não se faz muita coisa.
Aqui, entre nós, temos um exemplo muito ilustrativo. Um certo time de
futebol, famoso e querido das multidões, foi ao fundo do poço no último
campeonato, por falta de entendimento entre seus dirigentes. O engraçado
é que o lema desse time é “ União e Força”!
Aprendamos a lição dos pescadores, que vemos todos os dias à beira das
nossas praias! É tão pertinho!
* É DOUTOR EM TEOLOGIA E VIGÁRIO-GERAL
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Divino Espírito Santo - Maceió/AL