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| Marcado | Página Inicial 08/06/04 MONS. PEDRO TEIXEIRA
CAVALCANTE * Existem pessoas, que são realmente marcadas. Marcadas para serem vítimas. Vítimas de tudo. Não sei se você, prezado leitor, já notou esse fato e quem sabe se você mesmo não é uma pessoa marcada. Há gente que passou a vida fazendo o mal, muito mal, mas, um belo dia, converteu-se e mudou de vida. Mas, as outras pessoas olharão para ela sempre com o estigma da maldade, do erro, do pecado. Há pessoas que levam a culpa de tudo, mesmo que elas não tenham nada a ver com o pato. São julgadas constantemente por alguns como as responsáveis de coisas que jamais pensaram em fazer ou dizer. O marcado está sempre exposto ao juízo dos outros, mesmo que ele queira levar uma vida recatada, humilde, escondida, santa. Marcado, ele leva a culpa de tudo e por tudo e é o bode expiatório de muitos erros que outros comentem. Por outro lado, há pessoas que pintam e bordam, mas são tidas sempre como santinhas e maravilhosas. Todos as louvam e as procuram. Por que será que isso acontece, isto é, por que será que sempre houve gente marcada pelos outros? Em primeiro lugar, creio eu, é porque certas pessoas se distinguem se sobressaem e, por isso, provocam inveja e ciúme. Depois, também aqui creio eu, é porque essas pessoas realmente falharam de algum modo e não são jamais perdoadas pelos outros. E aqui está o nó da questão. Quem não tem Deus dentro de si, quem não segue o caminho do Evangelho, quem não ama como Jesus amou e mandou, está sempre inclinado a ver a maldade do outro e jamais sua conversão. Por outro lado, por causa da concupiscência pecaminosa, somos todos nós inclinados a descobrir no outro seu lado negativo. Parece que Freud deveria ter tentado explicar isso, porque no fundo é uma desculpa para nossa vida também errada. Vejamos o caso de santo Agostinho. Para que lembrar que ele foi um pecador antes de sua conversão? Por que não recordar apenas sua vida edificante, santa e maravilhosa de convertido? Devemos crer no outro. Deixemos de julgar o outro pelo que somos. Olhemos o esforço de recuperação do nosso irmão. Ajudemos aquele que quer realmente mudar e se converter. Isto nos fará certamente muito bem.
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