| A nova Encíclica do Papa - "Ecclesia de Eucharistia" |

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08/05/03

MONS. PEDRO TEIXEIRA CAVALCANTE *

     No último 17 de abril, Quinta-feira santa, o Santo Padre, João Paulo II, no vigésimo quinto ano do seu Pontificado e neste Ano do Rosário, deu ao mundo mais uma obra-prima: uma Encíclica sobre a Eucaristia, Ecclesia de Eucharistia.

      O texto, com mais de trinta páginas e no estilo próprio de João Paulo II, mistura doutrina com recomendações e, sobretudo, com insistente convite para uma vida de amor à Eucaristia. Com efeito, o Papa, enquanto fala sobre os ensinamentos teológicos ortodoxos da Igreja Católica sobre a Eucaristia, não perde a oportunidade de advertir certas tendências hodiernas que não estão de acordo com esses ensinamentos e, ao mesmo tempo, com muito entusiasmo e fervor místico, incita seus leitores, até mesmo com exemplos de sua vida a viverem o Mistério Eucarístico.

      A Encíclica tem uma Introdução e seis capítulos, assim distribuídos. Primeiro capítulo: Mistério da Fé. Segundo Capítulo: A Eucaristia edifica a Igreja. Terceiro Capítulo: A Apostolicidade da Eucaristia e da Igreja. Quarto Capítulo: A Eucaristia e a Comunhão Eclesial. Quinto Capítulo: O Decoro da Celebração Eucarística. Sexto Capítulo: Na Escola de Maria, Mulher “Eucarística”. Uma Conclusão termina a Documento papal.

      Fiquemos, hoje, com a Introdução. Nesta, o Santo Padre focaliza a importância da Eucaristia no mistério redentor e, conseqüentemente, na Igreja: “a Igreja, ao mesmo tempo que apresenta Cristo no mistério da sua Paixão, revela também o seu próprio mistério: Ecclesia de Eucharistia. Se é com o dom do Espírito Santo, no Pentecostes, que a Igreja nasce e se encaminha pelas estradas do mundo, um momento decisivo da sua formação foi certamente a instituição da Eucaristia no Cenáculo. O seu fundamento e a sua fonte é todo o Triduum Paschale, mas este está de certo modo guardado, antecipado e « concentrado » para sempre no dom eucarístico. Neste, Jesus Cristo entregava à Igreja a atualização perene do mistério pascal. Com ele, instituía uma misteriosa « contemporaneidade » entre aquele Triduum e o arco inteiro dos séculos.”

      Lembra o Papa o desenvolvimento do amor à Eucaristia com as várias Encíclicas papais sobre o assunto e com os ensinamentos do Vaticano II, mas, escreve ele, não pode esquecer as sombras que também se abatem sobre este Sacramento: “A par destas luzes, não faltam sombras, infelizmente.De fato, há lugares onde se verifica um abandono quase completo do culto de adoração eucarística. Num contexto eclesial ou outro, existem abusos que contribuem para obscurecer a reta fé e a doutrina católica acerca deste admirável sacramento. Às vezes transparece uma compreensão muito redutiva do mistério eucarístico. Despojado do seu valor sacrificial, é vivido como se em nada ultrapassasse o sentido e o valor de um encontro fraterno ao redor da mesa. Além disso, a necessidade do sacerdócio ministerial, que assenta na sucessão apostólica, fica às vezes obscurecida, e a sacramentalidade da Eucaristia é reduzida à simples eficácia do anúncio. Aparecem depois, aqui e além, iniciativas ecumênicas que, embora bem intencionadas, levam a práticas na Eucaristia contrárias à disciplina que serve à Igreja para exprimir a sua fé. Como não manifestar profunda mágoa por tudo isto? A Eucaristia é um dom demasiado grande para suportar ambigüidades e reduções.”

      Dois pontos ainda merecem considerações na Introdução. O primeiro é a relevância do Tríduo Pascal e, conseqüentemente, a ligação da Eucaristia com o evento fundamental da nossa fé, que é o evento pascal. Este tema é profundamente teológico. Na Introdução, o Papa o coloca como base do seu discurso para aprofundá-lo no primeiro capítulo. O segundo é o papel que a Eucaristia exerceu e exerce na sua vida sacerdotal. Aqui, o Papa evoca sua vida desde simples padre até o seu estado atual no ministério petrino e o faz com emoção e muito amor: “Quando penso na Eucaristia e olho para a minha vida de sacerdote, de Bispo, de Sucessor de Pedro, espontaneamente ponho-me a recordar tantos momentos e lugares onde tive a dita de celebrá-la. Recordo a igreja paroquial de Niegowić, onde desempenhei o meu primeiro encargo pastoral, a colegiada de S. Floriano em Cracóvia, a catedral do Wawel, a basílica de S. Pedro e tantas basílicas e igrejas de Roma e do mundo inteiro. Pude celebrar a Santa Missa em capelas situadas em caminhos de montanha, nas margens dos lagos, à beira do mar; celebrei-a em altares construídos nos estádios, nas praças das cidades... Este cenário tão variado das minhas celebrações eucarísticas faz-me experimentar intensamente o seu caráter universal e, por assim dizer, cósmico. Sim, cósmico! Porque mesmo quando tem lugar no pequeno altar duma igreja da aldeia, a Eucaristia é sempre celebrada, de certo modo, sobre o altar do mundo. Une o céu e a terra. Abraça e impregna toda a criação.”

      Nota-se, já na primeira leitura, nesta Introdução, certa ânsia do Papa para mostrar a importância da Eucaristia na vida do cristão e para demonstrar a ligação profunda entre a Eucaristia e o mistério da nossa salvação.

Versão completa, em portugês, oficla do Vaticano: Ecclesia de Eucharistia.

* É DOUTOR EM TEOLOGIA E VIGÁRIO-GERAL

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