| Paciência |

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06/10/02

MONS. PEDRO TEIXEIRA CAVALCANTE *


     Paciência é irmã da perseverança, filha da fé e fruto do amor.
A palavra paciência vem do termo latino patientia que, por sua vez, origina-se do verbo pati, que significa simplesmente sofrer. Assim, etimologicamente, paciência indica uma espécie de sofrimento. E o sofrimento da paciência é justamente a calma, a tranqüilidade com que alguém aguarda um acontecimento, sofre um dissabor, suporta uma espera. Assim sendo, sem fé é muito difícil ter paciência, sem amor é quase impossível praticá-la e sem perseverança ela não passa de ensaios.
     A paciência vive no tempo e só tem razão de ser por causa do tempo. O sofrimento da paciência é porque o homem ainda vive no tempo. Deus, que é eterno, não pode esperar, não pode se exasperar, não pode se apoquentar, não pode se angustiar; ele vive num eterno presente. No máximo poderíamos dizer, embora sem muita verdade, que Deus tem paciência eterna. A condição humana, porém, de ser temporal, acarreta-lhe o dissabor da espera, a angústia das contradições, a intranqüilidade do futuro.
     A Bíblia nos diz que para tudo há um tempo e esta sentença é carregadinha de sabedoria divina e humana. Psicologicamente é remédio para muitos males, já que o homem moderno é escravo do relógio, que o tortura e o conduz, muitas vezes, à escuridão da depressão, à angústia do estresse e ao desespero causado pelo corre-corre cotidiano.
     Com a parábola do joio (Mt 13.24-30), Jesus nos ensina que Deus não tem pressa e que ele tem as suas horas. Para nós, homens do século XXI, os ligeirinhos do tempo e do espaço, eis aí a lição e a mensagem de salvação. A pressa não somente é inimiga da perfeição, mas é condutora para as águas pendentes da vida. A paciência, mesmo recheada de algum sofrimento, é a grande lição de Deus para o apressadinho do nosso tempo, o homem moderno.
     * É VIGÁRIO GERAL E DOUTOR EM TEOLOGIA

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