| Julgar? É, no mínimo, perigoso! |

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06/04/03

MONS. PEDRO TEIXEIRA CAVALCANTE

     Certo dia, Santa Teresinha estava no recreio com suas co-irmãs e esperava ardentemente a visita de uma pessoa, com a qual precisava de falar um assunto urgente. Como estava no ofício de porteira, ela tinha todo o direito de sair do recreio na hora mesma em que soasse a campainha da portaria. Durante o recreio, porém, outra irmã manifestou o desejo de encontrar-se e de falar na portaria com a mesma pessoa esperada pela Santa. Como esta Irmã era segunda-porteira só poderia atender na portaria se Santa Teresinha não pudesse ir. Santa Teresinha, então, concebeu, de imediato, a idéia de deixar sua auxiliar ir à portaria no seu lugar, fazendo, assim, um grande ato virtuoso de renúncia, para dar alegria à sua co-irmã.
     Ora, aconteceu que, quando a pessoa esperada chegou e tocou a campainha da portaria, Santa Teresinha, para dar a vez à outra, demorou a levantar-se propositadamente. Vendo a demora da Santa, a superiora ralhou de imediato, mandando que a auxiliar fosse atender, já que a preguiça de Irmã Teresinha a impedia de levantar-se e cumprir seu dever.
      Do acontecido, a Santa tirou uma grande lição e deixou-nos a mensagem de que jamais devemos julgar as pessoas, porque o que vemos e achamos como coisa má pode ser um ato bonito de virtude, ou porque não sabemos a intenção oculta e profunda que está dentro de cada ser humano, ou porque simplesmente nos enganamos trocando, às vezes, ouropel por ouro.
      Tinha muita razão, pois, o Senhor Jesus, quando nos proibiu julgar, mesmo porque quem julga mal os outros pode facilmente ser julgado mal e condenado pelo que não é e não fez. Fica de pé, pois, o princípio evangélico: “Não julgueis e não sereis julgados!” Julgar? É, no mínimo, perigoso!

 


* É DOUTOR EM TEOLOGIA E VIGÁRIO-GERAL

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