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| ESTAMOS QUASE NO FIM DA FILA | Página Inicial 05/07/03 MONS. PEDRO TEIXEIRA
CAVALCANTE *
Li e reli o texto e fiquei
pensando como é que nós, brasileiros, que formamos uma massa considerável
do universo populacional do mundo e que, apesar de sermos ainda um país
emergente, já temos uma economia que não faz vergonha quer no continente
sul-americano, quer no campo mundial, ainda não se deu conta de que sem
cultura, sem estudo, sem educação, sem desenvolvimento intelectual, máxime
no campo das ciências humanas, nenhum país do mundo será vencedor no
seu contexto sócio-político.
Numa pesquisa sobre alfabetização
feita pela Unesco e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico
(OCDE), divulgada na Inglaterra, sob o título de Literary Skills for the
World of To-morrow, o Brasil aparece no trigésimo sétimo lugar, entre os
quarenta países entrevistados e analisados. Abaixo do Brasil estão
apenas Macedônia, Albânia, Indonésia e Peru, que é o último da lista.
Na América do Sul, Argentina e Chile estão acima do Brasil. A pesquisa
foi feita em 2002, e foram entrevistados entre 4.500 e 10.000 alunos em
cada país.
Por que estamos assim tão
atrasados e tão miseravelmente aviltados? Será que a nossa pobreza econômica
é culpada dessa situação. A resposta é negativa, pois estamos em pior
colocação do que países muito mais pobres do que nós.
Será que é a falta de aplicação
de recursos na educação que causa tantos transtornos na formação
cultural do povo brasileiro? Também não é essa a causa, porque há países
que aplicam muito dinheiro na educação, como é o caso da Itália, que
“investe mais do que o
dobro em educação do que a Coréia, mas está bem
atrás em termos de desempenho - não só com relação à leitura, mas
também à capacidade de compreensão matemática e científica,-
registrada entre os alunos do país asiático”.
O problema está na numa raiz
mais profunda. O perito no assunto, Alberto Motivans diz: “Investimento
em educação é parte da equação. Mas os países que têm os melhores
desempenhos são os que têm menos desigualdade”. E acrescenta aquilo
que pensamos seja a chave fundamental do problema: “O dinheiro para a
educação importa, mas também importa como ele é distribuído entre a
população”.
Aí está a solução do
problema. Em primeiro lugar, mais dinheiro para a educação do povo
brasileiro; em segundo lugar, e isto é importantíssimo, saber distribuir
bem esse dinheiro. Formar uma consciência da necessidade da formação
cultural, da aprendizagem, do desenvolvimento intelectual, aí está o
primeiro passo para o Brasil sair dessa posição vergonhosa em que se
encontra entre as nações do mundo.
Todos os brasileiros, porém,
sabem o que acontece. Ou não se dá o bastante para se ter um estudo sério,
isto é, com boas bibliotecas, com meios tecnológicos modernos, com
metodologia prática e eficiente, com professores bem formados, bem
preparados e bem remunerados; ou se gasta o dinheiro reservado para educação
em projetos sem sentido, em trabalhos sem conclusão, em remuneração a
quem não merece etc. Dessa maneira jamais sairemos do baixo nível de
escolaridade.
Ademais, o estudante
brasileiro precisa outrossim de uma situação econômica e social digna
do ser humano. Com efeito, como pode um jovem mal alimentado ou com deficiência
em algum órgão do seu corpo, estudar bem, dedicar parte do seu tempo à
pesquisa e desenvolver suas tarefas de aprendizagem?
Ainda mais. Num país, onde
analfabetos e pessoas sem o mínimo de cultura ganham fortunas mediante o
uso de meios baixos ou de formas aberrantes, como a apresentação
vergonhosa e amoral de um corpo bem feito, poderá um menino, uma menina,
um jovem ou uma jovem ter bons exemplos para se dedicar ao estudo, quando
sabe, de antemão, que, depois de formado, poderá ficar sem nenhum meio
de vida e poderá terminar num trabalho braçal ou manual, para o qual os
seus dedicados e atormentados anos de estudos para nada serviram?
Temos necessidade, sim, de
mudanças, de muitas mudanças em toda nossa estrutura social e política;
do contrário, jamais deixaremos de ser um país do terceiro mundo, que
pode ter uma boa economia, mas que terá sempre um povo atrasado e será
sempre registrado quase no fim da fila dos analfabetos.
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