| No coração da Igreja, eu serei o amor |

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05/05/03

MONS. PEDRO TEIXEIRA CAVALCANTE *

         São João nos diz que, Deus é Amor! Portanto, a essência de Deus, segundo a Revelação divina, é Amor! Pelo amor, podemos perceber como Deus seja uno e trino ao mesmo tempo. Com efeito, o Pai é o eterno Amante, o Filho o eterno Amado e o Espírito Santo o eterno Amor, que liga o eterno Amante no eterno Amado. A vida íntima trinitária, pois, é uma pericorese divina, ou seja, é uma fornalha ardente de amor eterno e absolutamente total, que unifica e trinifica.

         O que move, pois, toda obra de Deus é o amor. Sendo a vida íntima de Deus, ou seja, a Trindade imanente, amor, toda sua ação ad extra, ou seja, a Trindade econômica, é também amor. Destarte, a Igreja é fruto do amor da Trindade. Ela, portanto, realiza-se no amor e se centraliza no amor, que é a sua razão de ser.

         Como, pois, poderia alguém se atrever a ser o coração da Igreja? Como, pois, poderia alguém ousar ser a força pulsante desse coração, que é o amor? Como, pois, Santa Teresinha poderia ser o amor no coração da Igreja? Estaria ela tomando o papel do próprio Deus?

         Na verdade, sendo toda obra trinitária fruto do seu amor, também nós somos frutos desse amor e tudo que se move pelo amor, move-se pela ação amorosa da Trindade. Nós participamos do amor divino pelo qual Deus nos ama e também podemos participar da própria vida trinitária. Quanto mais nos assemelhamos a Jesus, por obra do Espírito, tanto mais participamos do amor do Pai e, assim, quanto mais participarmos do amor da Trindade, mais estaremos aptos para agir em nome de Deus. Por isso, os santos, na medida que mergulharam no amor de Deus, tanto mais puderam agir movidos por esse amor e em nome desse amor, sobretudo difundindo e engrandecendo a Igreja. Com efeito, sendo a Igreja um fruto especialíssimo do amor trinitário, ela é movida e vivida pelo e no amor de Deus. Portanto, é na extensão e na profundidade do seu amor participativo, que alguém pode dar vida à Igreja.

         Santa Teresinha, usando do costume ordinário de tomar o coração com sede do amor e, sabendo que o amor é a vida de Deus e, por isso mesmo, o móvel e a vida da Igreja, ela, apaixonada pela loucura do amor divino, quis ser, numa exclamação mística de extrema beleza e com profundo significado real, o amor no coração da Igreja. Em outras palavras, Santa Teresinha, à procura do seu lugar na Igreja, pois ela é o corpo místico de Cristo no qual cada cristão tem um carisma especial a seu serviço, não se contentou com ações periféricas, mas entrou no âmago da vida eclesial e declarou que, pelo amor no qual estava mergulhada, seria o ar, o combustível propulsor, a vida dessa mesma Igreja.

        Concretamente, Santa Teresinha declarou que amaria como Jesus amou a Igreja para fazê-la viva e real; que amaria com toda a intensidade do seu ser, sendo, portanto, só amor, amor de perdão, de compreensão, de abertura, de procura; que amaria até à loucura pela Igreja, dando sua vida, seu sangue, os seus méritos por ela; que amaria lutando lado a lado com os seus apóstolo não somente neste mundo, mas até à consumação dos séculos; que amaria pelos que não sabem ou não querem amar, sentando-se à mesa dos infiéis e dos ateus; que amaria sem reserva, sem retorno, sem troca, sem encomendas, sem desejo de recompensa; que amaria concretamente, diariamente; que amaria com sua fraqueza, com sua limitação, mas amaria com o coração do próprio Jesus; que amaria esquecendo-se de si e só procurando a glória de Deus.

         Portanto, ser o amor no coração da Igreja significa assumir a função divina nessa mesma Igreja; significa amar como Jesus a amou; significa dar a sua vida por ela; significa trabalhar, com a graça do Espírito, para a glória e louvor do Pai na Igreja de Cristo; significa ser cristão de verdade, engajado, entusiasmado, consagrado à causa do evangelho de Jesus.

         Podemos resumir tudo que o Santo Padre propôs para preparar a Igreja para o terceiro milênio na sua expressão querida: Nova Evangelização. Evangelizar, missão primordial da Igreja, mas evangelizar nos tempos atuais, como novos métodos, novas palavras, novos meios, eis a nova evangelização tão desejada e apregoada pelo Papa.

         Ser amor no coração da Igreja significa atender ao chamado do Papa para realizar a missão principal da Igreja de Cristo: evangelizar. A isso, como Santa Teresinha, todos nós somos chamados, pois todos nós Igreja e devemos clamar o apóstolo Paulo: “Ai de mim se não evangelizar!” ( ICo 9,16)

         Agora, podemos entender por que Pio XI declarou Santa Teresinha padroeira das missões e de todos os missionários ao lado de São Francisco Xavier. É que ela deu a sua vida para que Cristo, na sua pessoa e na sua mensagem, fosse conhecido no mundo inteiro. A ânsia de Santa Teresinha foi ser apóstola, pregadora do evangelho não apenas no seu tempo, mas desde toda a eternidade e ela prometeu que só terminará sua missão de evangelizadora quando os anjos tocarem as trombetas anunciando que o número dos eleitos está completo. Isto é ser o amor no coração da Igreja. Não se trata de poesia, mas de vida, de trabalho, de doação total à causa do evangelho, a serviço da Igreja, por amor a Jesus Cristo.

* É DOUTOR EM TEOLOGIA E VIGÁRIO-GERAL

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