| Paz para os irmãos |

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05/05/02

MONS. PEDRO TEIXEIRA CAVALCANTE *


     A briga começou há muito tempo. Tudo se iniciou, quando Abraão engravidou uma escrava egípcia de nome Agar. Sara, mulher de Abraão, fora quem propusera a escrava ao marido, mas, após a gravidez de Agar, as coisas mudaram. Agar desprezou Sara e esta maltratou Agar. De Agar nasceu Ismael e de Sara, por um milagre de Deus, nasceu Isaac. De Isaac vieram os judeus, conforme a Bíblia, e de Ismael vieram os árabes, segundo o Alcorão. Logo, judeus e árabes são irmãos e a guerra entre eles começou já antes mesmo do nascimento dos dois troncos, que deram origem às duas raças.
     Ademais, para a reconquista da terra, a guerra foi mais forte ainda e, desde então, judeus e árabes, embora irmãos, vizinhos e com muitos outros pontos de relacionamento como semelhanças lingüísticas, convivência em muitas e mesmas cidades, sempre têm se engalfinhado numa briga, que parece nunca terminar.
     Quem visita Israel notará, mesmo que não saiba nada de hebraico, que a palavra mais usada pelos judeus é Shalom. Shalom serve para tudo e se diz Shalom a todo momento. Todavia, o clima que se sente, por toda parte, é o de guerra, de temor, de susto, de apavoramento, de medo de uma invasão ou assalto dos árabes, que, em países diversos, rodeiam Israel por todos os lados. Se em Israel se fala tanto de Shalom (paz), provavelmente entre os árabes se anseia, com a mesma intensidade, pela paz (Khowkh), pois não é da razão humana querer viver sempre e constantemente na guerra.
     Para interceder por essa paz, foi que o papa, João Paulo II, no dia 4 de abril, fez uma carta ao cardeal Sodano, pedindo que promovesse, pelo mundo inteiro, orações pela paz entre judeus e palestinos. Diz o papa: “A dramática situação que a Terra Santa está a viver leva-me a dirigir um novo e premente apelo a toda a Igreja, para que sejam intensificadas as orações de todos os crentes por essas populações agora dilaceradas por formas de violência inaudita. Diante da insistente determinação com que, de ambas as partes, se continua a percorrer o caminho da represália e da vingança, ao ânimo angustiado dos crentes abre-se a perspectiva do recurso à premente oração àquele Deus que, somente Ele, pode mudar os corações dos homens, até mesmo dos mais obstinados.”
     * É VIGÁRIO-GERAL E DOUTOR EM TEOLOGIA

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