| Desconhecido, mas maravilhoso |

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04/08//02

MONS. PEDRO TEIXEIRA CAVALCANTE *


     Aponto, de logo, a quem me refiro. Estou falando de São João Maria Vianney, mais conhecido como o Cura d’Ars. Ele nasceu em Dardilly, na França, em 1786. Foi um camponês, bom de índole e por fé, mas rude de inteligência. Foi convocado pelo exército de Napoleão, mas desertou na marcha para a Espanha, porque não conseguia acertar o passo na hora de marchar. Já grande, entrou para o seminário, mas aí a sua dificuldade de entender se tornou enorme e, somente por causa da sabedoria de um Vigário-geral, ele se ordenou sacerdote.
     Feito padre em 1815, não recebeu permissão para confessar e teve de passar um ano de experiência e aprendizado. Como não era julgado muito capaz para exercer o ministério sacerdotal, foi enviado a um lugarejo perdido e quase despovoado ao norte de Lion, chamado Ars. E foi aí que começaram as contradições maravilhosas na vida desse santo.
     Tido por homem de pouco entender, as multidões acorriam aos seus sermões, que ainda hoje são famosos. Tido como incapaz de confessar, tornou-se um dos aclamados confessores da Igreja Católica. Menosprezado e jogado num povoado esquecido, ele levanta a fé e transforma Ars em um dos grandes centros de peregrinação mundial. Com um temperamento inclinado ao desânimo, nunca fracassou e voltou atrás. Caluniado, jamais se defendeu e venceu pela prova de sua própria vida. Magro e dado a extremismos no jejum, viveu longos e fortes 73 anos. Mal vestido, sujo e esquelético, atraía multidões de todas as partes da França. Duro na pregação da verdade, era cheio de bondade e misericórdia para compreender e perdoar os pecadores. Em suma, tido por inepto, tornou-se vaso de eleição sob a operação da graça divina. Na verdade, no Cura d’Ars realizou-se plenamente a palavra de São Paulo: “Mas Deus escolheu o que é louco aos olhos do mundo, para confundir os sábios. E Deus escolheu o que é fraco diante do mundo, para confundir os fortes. Deus também escolheu o que é baixo e desprezível, conforme o mundo, e escolheu o que nãovale nada para destruir aquilo que é” (1 Co 1,27-28).
     (*) é vigário geral e doutor em Teologia

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