| Tríduo Pascal |

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04/07/04

MONS. PEDRO TEIXEIRA CAVALCANTE *

       

            É claro que, o centro de toda a Semana Santa é o tríduo pascal. Para ele tudo converge e nele o topo é a Vigília Pascal da noite do Sábado Santo, mas isto é mais um motivo para que todos os católicos vivam intensamente cada dia da Semana Santa. A partir do Domingo de Ramos, quando a Liturgia recorda a entrada triunfante de Jesus em Jerusalém até a Vigília noturna do Sábado Santo, devemos reviver todos os passos da caminhada de Jesus  até à sua ressurreição, passando pela sua Paixão e Morte.

            O evento pascal é tão importante e sublime, que exige de cada um de nós não somente uma atenção especial, mas uma reflexão que leve à vivência de cada ato, de cada fato, de cada mensagem. Mesmo nos dias menos importantes, como a segunda-feira, terça-feira e quarta-feira, somos chamados à meditação do Mistério do Senhor, de tal modo que, no Tríduo sagrado, estejamos preparados para um verdadeiro mergulho na Páscoa.

            É triste e até vergonhoso ver muitos católicos olharem para a Semana Santa com um olhar indiferente, ou seja, vendo nela apenas mais uns dias de descanso e abusando desse descanso para festinhas profanas, regadas com álcool e guloseimas de toda e espécie. Até mesmo na  Sexta-feira santa, muitos católicos passam o dia nas praias, bebendo e comendo, sem pensar na Paixão e Morte dos eu Salvador; sem pensar no jejum que lhes é imposto pela Igreja; sem pensar nos “Cristos”, que estão, hoje em dia, sendo crucificados pela fome, pela miséria, pela penúria, pelas doenças para as quais não têm meios com que se defender.

            Católico de verdade, católico sério - e só pode existir esse tipo de católico - não pode perder esse tempo valioso da Semana Santa para se purificar, para, meditando seriamente o mistério pascal, acelerar a marcha para sua transfiguração, que terminará na Páscoa eterna do dia sem ocaso, na casa do Pai do céu.

            Como dissemos, o ponto máximo da Semana Santa é o tríduo pascal, que começa com a celebração da Missa da última ceia do Senhor, ou, como o povo a chama, Missa do Lava-pés. “A liturgia da noite da Quinta-feira Santa  é marcada sobretudo pela comemoração da Última Ceia de Jesus e da instituição da Eucaristia realizada nessa mesma ocasião, mas também pelo rito do lava-pés que teve lugar nessa oportunidade, como símbolo do amor de Jesus a serviço dos homens. Toda a comunidade deve participar da miss da ceia do Senhor”.  Nessa Missa, canta-se o Glória, tocam-se os sinos, que devem silenciar, logo em seguida, para voltarem na noite da Vigília sagrada. O rito do lava-pés, além de evocar a ação humilde d Mestre, é também uma demonstração simbólica do múnus de servidor do sacerdote, representante de Jesus. O Padre está sempre a serviço da comunidade, como o pastor está a serviço do seu rebanho, dele cuidando com amor e por ele dando cada minuto de sua vida.


* É DOUTOR EM TEOLOGIA E VIGÁRIO-GERAL

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