| Santos e mortos |

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03/11/02

MONS. PEDRO TEIXEIRA CAVALCANTE *

      Ontem, a divina liturgia comemorou os fiéis defuntos e, sexta-feira, celebrou a festa de todos os santos, que gloriosamente já vivem na casa do Pai. Mortos e santos, duas celebrações conjuntas com sentido e objetivo especiais.
      Tudo se explica pelo dogma da Comunhão dos Santos. Eis como o Catecismo da Igreja Católica nos explica este dogma: “Uma vez que todos os crentes formam um só corpo, o bem de uns é comunicado aos outros... Assim, é preciso crer que existe uma comunhão dos bens na Igreja (Santo Tomás de Aquino). Mas, o membro mais importante é Cristo, por ser a cabeça... Assim, o bem de Cristo é comunicado a todos os membros, e essa comunicação se faz através dos sacramentos da Igreja”... O termo “comunhão dos santos” tem, pois, dois significados, intimamente interligados: “comunhão nas coisas santas” e “comunhão entre as pessoas santas”. (N.947).
      Em outras palavras, a Igreja de Cristo tem uma parte de seus membros, que já está na glória, é a Igreja triunfante; outra parte ainda está na peleja diária aqui na terra, é a Igreja militante e uma terceira parte já partiu deste mundo, mas ainda não entrou na glória celeste, está passando ainda por um estágio de purgação, é a Igreja padecente. Entre todos os membros, porém, da Igreja de Cristo existe uma profundíssima interligação, de tal maneira que os que ainda estão na luta terrena podem ajudar, com os méritos de Cristo, os irmãos que estão se purificando e os que já estão na glória intercedem e ajudam os que ainda estão em caminho para a Pátria.
      Assim sendo, a lembrança e o sufrágio dos mortos demonstram a fé na ressurreição e a fraternidade entre os santos de Deus, enquanto que a celebração dos santos do céu é a alegria pela vitória deles. Ambas as celebrações indicam fé no poder de Cristo, esperança na participação da sua gloriosa ressurreição e o amor que une a todos os membros do Corpo místico de Cristo. A dia de finados nos lembra ainda que todos morremos; a festa de todos os santos nos recorda que somos todos chamados à santidade.
* É DOUTOR EM TEOLOGIA E VIGÁRIO GERAL

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