| Oração pelos inimigos |

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03/08/03

MONS. PEDRO TEIXEIRA CAVALCANTE *

          A lei de Jesus é exigente. Ela não se contenta apenas com o amar os que nos amam, perdoar os amigos; ela vai muito mais longe, ela pede, exige que se perdoe até os inimigos. Inimigos gratuitos, porque não os fizemos; eles é que se fizeram tais, pela inveja, pelo ciúme, pelo egoísmo, pela ignorância. Inimigos provocados pela nossa falta de caridade, consciente ou inconsciente. A todos, a toda espécie de inimigos, Jesus manda perdoar.
          Convenhamos que isto não é fácil, sobretudo quando se trata de inimizade não provocada por nós, mas nascida da maldade do coração do outro. Todavia, a lei do Senhor Jesus é baseada na vida trinitária, ou seja, no amor. E o amor não faz diferença, não calcula, não distingue. Por isto, a lei do Senhor exige o perdão para todos, como ele mesmo o fez e faz: “Pai, perdoai-lhes, porque não sabem o que fazem”. (Lc 23,34)
          Conta-se na vida de Santa Gemma Galgani que, certa feita, estando em casa, foi abordada por um religioso, que a injuriou e a humilhou com palavras duríssimas, na presença de outras pessoas. Gemma, serena e calma, ouviu os impropérios em silêncio, pois somente duas vezes disse: “O senhor diz bem; o senhor tem razão”. E, como se não bastasse, a grande Santa da Paixão do Senhor, escreveu, depois, uma oração simples, mas belíssima, pelo religioso que tanto a maltratara. Não sei se é preciso rezar como Santa Gemma rezou, mas sei que vale a pena conhecer a sua prece, saída de um coração que amava apaixonadamente Jesus e que, como ele, soube perdoar, não guardando rancor, nem ódio, nem mágoa. Eis a oração, traduzida com o estilo próprio da santa.
          “Jesus, recomendo-te o meu maior inimigo, o meu maior adversário. Guia-o, acompanha-o. Se tua mão deve pesar sobre ele, não, pese sobre mim. Dá-lhe todo o bem, Jesus! Não o abandones, consola-o. Que importa se tu me deixas nas dores? Mas ele, não. Recomendo-lho hoje e para sempre. Jesus, eu te peço, assiste-o; assiste-o e consola-o. Dá-lhe todo o bem, Jesus, o dobro em bem de todo aquele mal, que ele teria querido fazer-me. Vingar-me? Não, Jesus, com tua ajuda. Cada dia eu to recomendo; sim, eu to recomendo: pensa nele, guia-o. Jesus, guia-o tu, e se achas bom, não por mim mas por ti, fá-lo calar. Ele não merece desprazeres; eu, sim. E para te fazer ver que te quero bem, amanhã pela manhã comungarei por ele. Ele talvez pensará em fazer-nos mal e nós, ao contrário, não; queremos-lhe muito, muito bem.”


* É DOUTOR EM TEOLOGIA E VIGÁRIO-GERAL

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