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02/06/04

MONS. PEDRO TEIXEIRA CAVALCANTE *

       

         Certo dia, numa aula de catecismo, o catequista disse para os alunos: “Hoje, vamos estudar o maior mistério da nossa fé!” Uma criança pediu a palavra e perguntou: “Professor, que é mistério?” O catequista respondeu incontinente: “É uma coisa que a gente não entende”. O garoto, maroto e inteligente, replicou: “Então, para que estudar isso, se a gente não entende e, sobretudo, porque o senhor disse que era o maior mistério, portanto aí que a gente não vai entender mesmo”. Pobre professor! Ficou calado e perdeu a graça naquela aula.

            Esse fato simples nos ensina duas coisas. Primeira, que é costume falar-se da Santíssima Trindade apenas como um mistério, como o maior mistério da nossa fé, que, portanto, não pode jamais ser entendido, e basta. Segunda, que justamente porque não pode ser entendida, a Santíssima Trindade é incompreendida, esquecida e até exilada.

            Nenhum católico pode negar que a Santíssima Trindade é um mistério, mas também não se pode negar que, se não pode ser entendida, pode ser percebida e, sobretudo, pode e deve ser vivida. Percebida, sim, porque Deus só pode ser um só na sua essência divina, uma vez que é infinito; todavia, tem de ser trino em pessoas, porque ele é Amor e o amor supõe o Amante, o Amado e o próprio Amor, que é o vínculo que liga o Amante no Amado e vice-versa. Ademais, o amor supõe pessoa, que é em si e que pode se doar ao outro na compreensão e na volição. Por isso, Deus é um na sua essência, mas trino nas suas três pessoas divinas. Por isso, o Deus cristão é a Trindade.

            Todavia, o mais importante é saber que a Trindade é o começo e fim de tudo. É a razão da nossa vida e o termo da nossa existência. É saber que nela e por ela nós somos, existimos e nos movemos. Por isso, o católico tem de viver cada instante na, pela e com a Santíssima Trindade até o dia em que ele mergulhar para sempre no seio da Trindade. eterna e infinita.


* É DOUTOR EM TEOLOGIA E VIGÁRIO-GERAL

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