| Alegria e Carnaval |

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02/03/03

MONS. PEDRO TEIXEIRA CAVALCANTE *

     A palavra alegria perpassa por toda a Bíblia, como uma marca de vida de todo aquele que ama a Deus e, conseqüentemente segue a sua lei. A paz de consciência leva imediatamente à tranqüilidade interior e, como conseqüência, a uma alegria pura, verdadeira, contínua e profunda. Assim, podemos entender como São Paulo, entre os frutos da ação do Espírito Santo, enumera a alegria (Gl 5,22).
     Na verdade, a alegria não deve ser entendida apenas como um estado de euforia sensível. A alegria verdadeira, sincera, inalterável é aquela que surge do íntimo do ser por um motivo profundo de concordância consigo mesmo, que vale a dizer também com Deus e com todas as criaturas.
     Confunde-se facilmente a alegria com qualquer situação em que a pessoa se encontra eufórica, mesmo que seja por motivos banais, como a bebida ou um prazer passageiro. Podemos chamar esses momentos de alegria sensível, prazerosa, momentânea. A marca indelével dessa alegria é ser passageira e a ela, muita vezes, seguem-se situações de arrependimento, tristeza, incerteza, desconforto.
     A alegria sensível é boa, necessária e vale a pena, porque somos criaturas humanas, feitas de carne e osso. Todavia, se ela surge de motivos falsos, pode se tornar fonte séria de amargas conseqüências. Ao passo que se ela nasce de razões puras e belas, é a expressão da riqueza dos nossos sentimentos humanos. Acima, porém, de qualquer tipo de alegria humano-sensível, está a alegria espiritual, fruto da ordem interior e da união com Deus.
     No carnaval, o homem pode facilmente, porque tudo o conduz a isso, perder o sentido ético e moral das coisas e confundir alhos com bugalhos. O resultado, já esperado mas nunca aceito, pode trazer muita dor de cabeça. Brincar, alegrar-se, tudo isto é bom, mas a alegria só presta quando ela nasce boa e termina boa.


* É DOUTOR EM TEOLOGIA E VIGÁRIO-GERAL

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