01/06/03
MONS. PEDRO TEIXEIRA
CAVALCANTE *
Hoje, a liturgia comemora
solenemente a Ascensão de Jesus aos céus. Como tal fato se realizou na
prática, é difícil dizer, pois Lucas nos dá apenas alguns dados
difusos e incompletos: “Ele, em seguida, os conduziu até perto de Betânia
e, impondo as mãos sobre eles, os abençoou. E, enquanto os abençoava,
foi-se afastando deles, e subindo para o céu. Eles se prostraram diante
de Jesus e, depois, voltaram cheios de alegria a Jerusalém”. (Lc
24,50-52). “Dito isto, elevou-se ante seus olhos e veio uma nuvem que o
escondeu da vista deles. Estavam olhando para o céu enquanto ele subia e
eis que apareceram dois homens vestidos de branco”. (At 1,9-10) Como se
vê, mesmo vendo os dois textos no seu contexto, ainda fica muita coisa a
ser interrogada e esclarecida sobre o fato. Todavia, o que interessa mesmo
na Ascensão de Jesus é o seu significado.
Jesus dissera: “E quando eu
for elevado da terra, atrairei todos os homens a mim”. (Jo 12,32). Essa
elevação da cruz é o anúncio da ascensão de Jesus. Podemos dizer que
é o seu início. Há uma diferença entre o estado glorioso de Jesus
ressuscitado e o estado de Jesus que entra no céu e se senta à direita
do Pai. A Maria Madalena, Jesus disse: “Não me toques, ainda não subi
ao meu Pai...” (Jo 20,17); isto indica que “uma diferença de
manifestação entre a glória do Cristo ressuscitado e a do Cristo
exaltado à direita do Pai. O acontecimento ao mesmo tempo histórico e
transcendente da Ascensão marca a transição de uma para outra”.
(CIC,nº 660).
Além dessa transição de
manifestação gloriosa, que significa mais a Ascensão do Senhor para nós?
A Carta aos Hebreus nos responde, quando diz que o único e eterno
sacerdote da Nova Aliança não “entrou em um santuário feito por mão
humana... e, sim, no próprio céu, a fim de comparecer agora diante da
face de Deus a nosso favor”. (Hb 9,4). O Autor sagrado, aqui, diz-nos
duas coisas. Primeira, que a nossa carne humana, depois de expulsa do céu
por causa do pecado do primeiro homem, reentra gloriosa na sua pátria na
carne de Cristo. Segunda, que Cristo no céu está intercedendo por cada
um de nós.
A festa da Ascensão do Senhor
deve, pois, não só despertar nossa saudade da Pátria, para a qual
caminhamos, mas também aumentar nossa esperança de lá chegarmos pela
intercessão do nosso único Mediador, Jesus Cristo.
* É DOUTOR EM TEOLOGIA E VIGÁRIO-GERAL
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